Domingo, 12 de Agosto de 2007

há-de flutuar uma cidade...

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
  
Al Berto 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Al_Berto

publicado por Piteira às 11:58
| Comentar | Adicionar aos favoritos
|
6 comentários:
De L. a 12 de Agosto de 2007 às 13:08
Muito bem, parabéns a todos, prometo voltar.


De alcacovas a 13 de Agosto de 2007 às 22:09


De alcacovas a 13 de Agosto de 2007 às 22:11
Esqueci-me de assinar.

Ricardo Vinagre


De Maria a 17 de Agosto de 2007 às 22:17
A felicidade espreita-nos sempre todos os dias.. Num simples gesto..num sorriso...num abraço fugidio...

Mas como andamos distraídos não damos conta que ela nos sorri sempre... :)


De Piteira a 18 de Agosto de 2007 às 00:35
sim... ou então num comentário como o seu. a felicidade é realmente invulgar.

ponho.me a pensar... quem é a Maria? e fico feliz.


De Maria a 18 de Agosto de 2007 às 11:17
Invulgar será encontrar alguém que se considere feliz...

Mas a felicidade existe, precisamos é de esta mais atentos... Ela sorri tantas vezes nós é que não nos apercebemos.. Vale a pena estar atento :)

sou como um pássaro estranho, que num voo desconcertante pinta o céu de várias cores...

sou como uma mão que desliza por entre o vazio de um corpo que se perde na imensidão do pensamento :)








Comentar post

O Autor

Pesquisa

 

Setembro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Últimas obras publicadas

Trabalho em Belém

Por do Sol de Verão

COR CIDADE

David

Piteira de volta... artis...

Valentino

Apresentação

DESPEDIDA ANUNCIADA

...

IntraRail

Arquivos

Setembro 2008

Julho 2008

Abril 2008

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

tags

todas as tags

Participar

Participe neste blog

Visitas a partir de 25 de Janeiro


Contador Gratis